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O Idoso na Mídia
sexta-feira, maio 25 2007 - 01:41

O Idoso na Mídia

Nívea Leite

Historiadora, Arqueóloga e Divulgadora Científica

A televisão invadiu nossas vidas de tal modo que muitos pesquisadores têm se dedicado a estudar este fenômeno social recente, como o americano George Gerbner, por exemplo, que, em 1993, analisou a questão do impacto da televisão em nossa cultura, e concluiu que a repetição de imagens e mensagens que chegam, ao mesmo tempo e em diversos lugares, e a um número muito grande de pessoas, influi diretamente na socialização, ou seja, na forma como convivem pessoas e gerações. Ele, inclusive, acredita que a visão que a sociedade tem hoje do mundo da velhice é uma construção do marketing comercial.

Todas estas questões envolvendo o convívio entre as gerações e o mundo da velhice motivaram uma série de pesquisas sobre as formas como os idosos são representados na mídia, principalmente na televisão, tanto nos EUA quanto em outros países como Canadá e Grã-Bretanha.

As pesquisas realizadas nas décadas de 70 e 80 diagnosticaram basicamente dois tipos de problemas ligados aos idosos na televisão, ou seja, ênfase em características negativas e pouca representação dos mesmos, sendo que alguns autores estudaram também as implicações econômicas destes mecanismos de exclusão utilizados pelas agências de propaganda.

Representação social negativa

Muitas pesquisas constataram que as características negativas do envelhecimento eram não somente mostradas, mas também enfatizadas nos programas e comerciais de televisão dos EUA.

O estudo de Northcott, por exemplo, na década de 70, concluiu que a imagem negativa da velhice na televisão era uma constante, sendo que os poucos personagens idosos sempre representavam papéis de menor importância e de menor visibilidade.

A pesquisa de Swayne e Greco afunilou mais a questão na década de 80, pois mostrou casos de duplo estereótipo negativo, ou seja, o das minorias idosas na televisão.

Também na década de 80, Dail mostrou que os idosos, muito mais do que qualquer outro grupo social, eram retratados na mídia de forma desagradável e negativa, principalmente com relação às suas habilidades físicas, sua saúde, sociabilidade, personalidade e capacidade de trabalho.

Em contrapartida, os ingleses Wober e Gunter, também na década de 80, realizaram um estudo a partir da opinião pública sobre a imagem da velhice nos programas de televisão. Os 339 participantes preencheram questionários e diários de observação sobre a programação de uma semana da ITV de Londres. De acordo com os participantes, cujas respostas foram analisadas por categorias de idade, gênero, raça, e classe sócio-econômica, não havia baixa representatividade dos idosos na televisão britânica. Eles observaram, entretanto, que a imagem da velhice era menos respeitosa nos programas de ficção (comédias e shows de ação e aventura) do que nos programas de notícias e documentários. Portanto, afirmaram estes autores, as conclusões dos americanos sobre o papel do idoso na mídia não se sustentavam integralmente na Grã Bretanha.

Minoria na publicidade

Outras pesquisas analisaram a baixa representação dos idosos nos programas e comerciais de televisão, e que ocorria devido à ênfase que este meio de comunicação sempre deu à juventude e à beleza, assim como à rapidez e ao tempo condensado.

Uma destas pesquisas, a de Gerbner e Larry Gross, sobre 10 anos de programação da TV nos EUA (1982-1992), mostrou que os americanos com 60 anos ou mais eram apenas 5.4% dos personagens, embora fossem cerca de 17% da população. Eles observaram ainda que os idosos, apesar de seu crescimento numérico, perderam importância e valor no mundo da comunicação, tornando-se quase invisíveis na televisão, embora representassem a maioria dos telespectadores.

Um outro estudo, o de Elliot, também na década de 80, mostrou que os personagens mais velhos eram 8% de uma amostra de 723 personagens. Ele evidenciou também que havia uma baixa representatividade de mulheres mais velhas em relação aos homens nos EUA.

Na mesma época, Moore e Cadeau estudaram comerciais de estações canadenses e constataram que só 2% deles utilizavam atores idosos, na maioria homens. Por outro lado, dos 4% de comerciais que mostraram as minorias, em menos de 1% apareciam as minorias idosas.

Implicações econômicas

Alguns autores, também da década de 80, ressaltaram nos seus estudos o lado econômico desta problemática. Diziam eles que, na questão dos comerciais, por exemplo, as empresas, ao ignorar os consumidores mais velhos ou perpetuar os estereótipos negativos sobre a velhice, acabavam deixando de lado um segmento do mercado com grande poder econômico.

Ken Dychtwald, por exemplo, em seu trabalho sobre os desafios e oportunidades dos idosos, salientou que a sociedade foi levada a crer na pobreza das pessoas mais velhas, o que nem sempre é verdade, porque a população mais velha dos EUA, apesar de representar, no final da década de 80, somente cerca de 25% da população, tinha renda alta e controlava uma grande quantidade de dinheiro. Além do mais, dizia ele, a sociedade também foi levada a acreditar no apego dos idosos às suas coisas, esquecendo-se da sua disposição em trocar o velho pelo novo, desde que conveniente.

A realidade dos anos 90 nos EUA

Na década de 90, Meredith Tupper realizou uma pesquisa para examinar se os problemas identificados nos anos 70 e 80, ou seja, a subrepresentação dos idosos e a imagem negativa da velhice na televisão ainda podiam ser identificados. Foram analisados 278 comerciais de uma semana de programação (60 horas), mostrados, entre 8:00 e 11:00 da noite, nas quatro maiores redes dos Estados Unidos (ABC, CBS, NBC, e Fox), em novembro de 1994.

Foram catalogados 829 personagens, 68 (8,2%) dos quais eram idosos, presentes apenas em 42 (15%) dos comerciais, sendo que somente em 6 deles os idosos interagiam com jovens, adultos e crianças. Os personagens idosos de cada um dos comerciais foram então catalogados e analisados por categorias. A analise por gênero mostrou que 39 dos 68 personagens idosos eram homens, apesar das mulheres serem maioria nos EUA em 1990. A análise por raça foi feita com base em critérios culturais, e evidenciou a imensa maioria (84%) de anglo/europeus, em detrimento de afro-americanos e outros. As análises por ênfase do personagem no comercial e por locação do mesmo, e dos produtos anunciados não revelaram, entretanto, estereótipos negativos vistos nas décadas anteriores.

A conclusão deste estudo é que a imagem do idoso nos comerciais de televisão era menos negativa do que se pensava. O que parece ter ocorrido é que os resultados das pesquisas anteriormente efetuadas mudaram as formas da propaganda mostrar o idoso. Entretanto, concluiu a autora, é verdade que foram reduzidos os estereótipos sobre a velhice na televisão, mas reduziram-se também as oportunidades dos personagens idosos, ainda pouquíssimo presentes nas propagandas.

A realidade brasileira

No Brasil, como em outros países, estudos sobre os idosos também tem sido realizados, analisando jornais e revistas, entre outras mídias, e com enfoques mais qualitativos do que quantitativos.

O estudo de Nogueira, por exemplo, enfatizou a análise do vocabulário utilizado para designar a velhice no jornal Folha de S. Paulo (1990-1999). A autora concluiu que o “sentido construído para a velhice no discurso jornalístico é o sentido da não velhice”, ou seja, o discurso da Folha é heterogêneo, ora enfatizando a velhice como fase de decadência, ora como fase de rejuvenescimento.

Um outro estudo recente, o de Solange Maria de Vasconcelos, lança algumas luzes sobre a questão, através de uma abordagem semiológica. Após trabalhar conceitos e caracterizações da velhice, a autora fez reflexões sobre os mitos que a sociedade tem construído e perpetuado a respeito do “velho”, e buscando os sinais destes mitos na análise do discurso publicitário das revistas Cláudia e Veja, desde a década de 1960 até a virada do milênio.

Este estudo constatou que as propagandas utilizando idosos, ou a eles se dirigindo, sempre foram muito poucas em relação ao total, oscilando entre 0,24% e 4,83%, dependendo do período e do veículo analisado. Por outro lado, o estudo da simbologia dos anúncios publicitários confirmou “a hipótese de que no início das décadas o Brasil tratava o “velho” com indiferença e só com a descoberta de um mercado de consumo ligado a este gênero é que o mesmo ganhou importância social”.

Nas décadas de 20 e 30, os idosos, quando apareciam em anúncios, eram sempre ligados a produtos farmacêuticos, o que começou a mudar, principalmente a partir das décadas de 50 e 60, e mesmo 70. Nestes períodos, os idosos já eram mostrados no meio de suas famílias, em anúncios de higiene pessoal, cosméticos, roupas, alimentos, e mesmo de instituições financeiras, mas sempre como figurantes, não como personagens principais, no máximo exercendo os seus papéis tradicionais de avós.

Nas décadas de 80 e 90, já se pôde perceber uma mudança substancial, pois os idosos começaram a ser conclamados a adquirir valores mais modernos, como participação social, segurança, auto-estima, tudo isso através da compra dos novos e revolucionários eletrodomésticos e eletroeletrônicos, assim como automóveis e serviços bancários. Esta tendência a encarar os idosos como consumidores potenciais foi mantida na virada do milênio, quando eles continuaram a ser conclamados a comprar automóveis, aparelhos de telecomunicações e de computação, entre outros.

Portanto, no Brasil, como nos EUA, as pesquisas indicam que houve mudanças nas formas como as propagandas comerciais se referem ou se dirigem aos idosos, os quais, hoje, não são mais caracterizados de formas tão negativas como já o foram no passado. Mas também aqui, como nos EUA, os idosos continuam a ser muito pouco representativos nas propagandas, se formos considerar a totalidade das mesmas.

Empresas buscam consumidor da terceira idade
sexta-feira, maio 25 2007 - 01:33

Viajar, por exemplo, é outro programa obrigatório.
Já são 18 milhões brasileiros com mais de 60 anos.
Thumb do Vídeo

Uma feira em São Paulo chama a atenção de um grupo cada vez mais consumista: o da terceira idade. No país dos jovens, os mais velhos têm conseguido espaço e despertado a atenção de fabricantes e prestadores de serviços.

No Brasil, a ditadura da juventude sempre falou mais alto. É uma história antiga. Mas que começa a virar as primeiras páginas. No salão da maturidade isto é evidente.

São muitas opções. Cuidar do físico é só uma parte. Viajar, por exemplo, é outro programa obrigatório, principalmente quando o tempo é o principal aliado.

Os avanços da medicina deram vida longa para os mais velhos. Já são 18 milhões brasileiros com mais de 60 anos. Agora, é tempo de gastar o que se poupou a vida toda.

 
Aposentadoria não rompe o contrato de trabalho
sexta-feira, maio 25 2007 - 01:32
foto colunasecisão do STF (Supremo Tribunal Federal) põe um ponto final na questão sobre se o aposentado deve ter seu contrato de trabalho rescindido ou não. Mas, atenção, essa decisão se refere aos trabalhadores que se aposentarem espontaneamente antes de completar o tempo necessário (homem aos 35 anos de contribuição e mulher aos 30 anos), os quais não podem ser demitidos automaticamente.

A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN), impetrada por diversos partidos políticos, contestou dispositivo da lei nº 9.528/97. Segundo o texto, aos trabalhadores que se aposentavam espontaneamente antes de completar o tempo necessário implicaria a extinção do contrato.

O ministro Carlos Ayres Britto, relator da ADIN, votou pela inconstitucionalidade da lei, pois entendeu que o dispositivo da lei gera uma desarmonia com a Constituição.

A decisão de tornar contínuo o contrato de trabalho gerou uma discussão referente à multa de 40% sobre o saldo do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). Segundo o TST (Tribunal Superior do Trabalho), o pedido espontâneo de aposentadoria equivale a pedir demissão. Assim, não haveria a multa de 40% sobre o saldo do FGTS até o momento da aposentadoria, mas apenas a partir daí.

Britto ressalta que, mesmo o trabalhador estando aposentado, nada impede que a empresa o demita. Mas nesse caso, ela deve arcar com o pagamento de todas as verbas rescisórias decorrentes de uma demissão sem justa causa. Por esse entendimento, a empresa terá de pagar a multa de 40% sobre o FGTS desde antes da aposentadoria até o dia da demissão.

Serviço de Orientação e Apoio à Terceira Idade
quinta-feira, maio 24 2007 - 10:41
Serviço de Orientação e Apoio à Terceira Idade - Espaço Convivência - Parceria com o Fundo Social de Solidariedade - Departamento de Formação Cultural
  Descrição:  
  O Grupo de Programas e Projetos do Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo desenvolve trabalho com a Terceira Idade em seu Núcleo de Atendimento ao Idoso (NAI). Seus principais objetivos são: reverter a imagem do idoso em nossa sociedade; conquistar o respeito das demais gerações; sensibilizar a sociedade para novas formas de participação da pessoa idosa; proporcionar canais de comunicação, convívio social, troca de experiências entre as pessoas idosas e as demais gerações; valorizar e estimular a prática de atividade física, como fator de promoção de saúde e bem-estar das pessoas idosas; resgatar a auto-estima da pessoa idosa para melhor convívio social. O Espaço Convivência conta com o apoio de voluntários, que além de prestarem atendimento diário aos idosos a partir de um cronograma organizado em plantões, prestam serviços junto aos cursos e oficinas da parceria com a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo.  
  Endereço Eletrônico:  
  http://www.oficinasculturais.sp.gov.br  (Informação sobre o serviço)

http://www.fundosocial.sp.gov.br  (Prestação do serviço)
Prioridade ao Atendimento
quinta-feira, maio 17 2007 - 02:08
foto notíciasisando um atendimento mais rápido para as pessoas de maior idade, a Lei nº 10.048/2000 estabeleceu prioridade ao atendimento para aqueles com idade superior a sessenta e cinco anos em todos os órgãos públicos, bancos e concessionárias de serviço público e, no campo processual, a Lei nº 10.173/2001 alterou o Código Civil Brasileiro estabelecendo prioridade de tramitação nos processos judiciais de idosos.

Somente em 2003 foi alcançada a redução de idade para idoso, sendo considerado assim aquela pessoa que alcançasse idade igual ou superior a sessenta anos, com preservação da sua saúde física e mental, através do Estatuto do Idoso, aprovado em 1º de outubro de 2003 pela Lei nº 10.741.

Amparando os mais diferentes aspectos da vida cotidiana, a referida Lei destaca o papel da família, reforçando e enfatizando a obrigação da mesma, bem como de que a sociedade e o Poder Público assegurarem o direito à saúde, alimentação, cultura, esporte, trabalho, cidadania, liberdade, dignidade, respeito e convivência familiar.

A função principal do Estatuto é funcionar como uma carta de direitos, fortalecendo o controle do Poder Público em relação ao melhor tratamento das pessoas com idade avançada, respeitando a sua dignidade, galgando-o à um lugar de respeito, transformando-o num verdadeira instrumento de educação para o cidadão, buscando, para o idoso com participação ativa, alcançar a posição de cidadão efetivo na sociedade.

Deste modo, o idoso deve e tem participação no complexo sistema que compõe a sociedade onde vive e tem o direito de exigir o seu lugar.
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